Procon de Joinville começa distribuição do livreto educativo ‘Cordel do Consumidor’

O Procon de Joinville começou a distribuir o livreto “Cordel do Consumidor”, um poema que tem como base o Código de Proteção e Defesa do Consumidor.

A obra foi publicada pela primeira vez em 2001, pelo Ministério da Justiça, e distribuído para todo o Brasil, tonando-se referência para quem trabalha na área dos direitos consumeristas.

Odila Schwingel Lange, a autora, é historiadora, folclorista, advogada e poetisa. Nasceu em Venâncio Aires, no estado do Rio Grande do sul, no ano de 1950.

Cordel do Consumidor

Odila Schwingel Lange

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Com licença, amigos e amigas,
Venho desempenhar o meu papel
Como poeta popular.
Eu vou fazer um cordel
Ao Código do Consumidor
Procurarei ser fiel!

O consumidor, companheiros,
É revestido de importância
Não pode ser enganado
Nem tratado com discrepância
Ninguém pode descumprir a lei
Nem por erro ou ignorância!

Todos nós somos consumidores
Independente da idade
Morando lá na favela
Ou no centro da cidade
Todos consomem alguma coisa
Só variando a qualidade!

Por isso falo em bom tom
Sobre este assunto importante
Não te deixes enganar
Nem sequer por um instante
Exige, sim, teus direitos
De Cidadão atuante!

Se tu fores ao mercado
Por causa da propaganda
E houver venda casada
De sabonete e de lavanda
Denuncie o infrator
Fazendo o que a lei manda!

Se receberes um panfleto,
Cartas, prospectos ou missiva,
Verificando algo errado
Não gastes tua saliva
Leva o fornecedor ao Procon
Por propaganda abusiva!

Acaso esteja na feira
Não compre gato por lebre
Ao procurar um chazinho
Para acabar com a febre
Se tentarem te engrupir
Sê paciente e nada quebres!

Sempre existe uma maneira
De punir o infrator
É um dever e um direito
Ser um bom consumidor
Se precisar, chama “os homens”
E prende o fornecedor!

Para escolher as verduras
Na certa não falta tino
Se tiver algo estragado
Não sejas grosso, nem fino
Chama logo o Procon
E livra-te já do pepino!

Não sintas vergonha de nada
Ouve bem o que digo aqui
Se te sentires explorado
Não faças boca de siri
Chama a fiscalização
Para descascar o abacaxi!

Se o gerente quiser briga
Nele não dês sopapo
Vai levando-o na conversa
Sem engolires nenhum sapo
Mas preta muita atenção
Não caias nunca em seu papo!

Ao receberes o seu troco
Lá vem a tal da balinha
Não aceites, camarada
Nem ligues pra ladainha
O consumidor tem direitos
O resto é pura abobrinha!

Ou, também, meu caro amigo,
Se o fósforo te for dado
Não cometas atrocidade
Botando fogo no mercado
Na outra vez, traz o fósforo!
Devolve ao caixa safado!

Se tu levares um susto
Ao pagar o telefone
Vai direto ao Procon
Bota a boca no trombone
Fazes já reclamação
Sem omitir fato e nome!

Se o prestador de serviço
Não cumprir com a obrigação
Existem os meios legais
De fazer autuação
Mas pega sempre o comprovante
Para não ficar na mão!

Se a tua conta de água
Veio alta de montão
Como se em tua casa
Existisse um batalhão
Leva lá tuas faturas
Pra pedir aferição!

Não bobeies, nem vaciles
Ao pagar tua energia
Se o teu consumo é baixo
E a casa fica vazia
Não há razão para arcares
Com toda esta quantia!

Outra vez no restaurante,
Não engulas pimenta ou sal
Com aquele papo manhoso
O garçom pode se dar mal
Pois o código diz, meu amigo,
O couvert é opcional!

Se na hora de pesar a comida
O prato também vai junto
Não quebres a cara de quem pesa
Briga séria faz defunto
Chama logo a polícia
Resolve já este assunto!

E quando fores pagar a conta
Se a coisa ficar preta
Pois o garçom te olha torto
Esperando pela gorjeta
Paga somente o consumo
O resto é pura mutreta!

E se cobrarem os “dez por cento”
Fica esperto, sê vivo
Não mostres ignorância
Nem ligue para o aperitivo
Os “dez por cento” só valem
Por acordo coletivo!

E se o fornecedor encrencar
Chamando sua segurança
E este vai logo batendo
Chutando tua poupança
Registra logo um BO
Que a coisa fica mais mansa!

Se tiveres no restaurante
Com tudo tão arrumadinho
Mas, de repente uma barata
Sai daquele buraquinho
Chama logo a vigilância sanitária
Tira o lixo do caminho!

E, meu amigo, te digo
Não vaciles no teatro
Se o elenco todo não veio
Não deixes ficar barato
Exige de volta a grana
Mostrando que o trato é trato!

E se não der nenhum acordo
Fica aqui um bom lembrete
Não adianta bateres pé
Nem ameaçares com cacete
Exige sempre ao entrar
Um pedaço do bilhete!

Locando fitas piratas
Tu podes entrar numa fria
Nem que seja um amigo
Da comadre ou da titia
Se os tiraste pegarem
Tu vais para delegacia!

Quando surgir uma viagem
Não confie em qualquer agência
Depois não adianta chora
Nem a Deus pedir clemência
Na hora de contratar o pacote
Mostra tua competência!

Se depois de um longo percurso
Não achares tua malinha
Não aceites pouca coisa
Em troca da coitadinha
Exige todo o conteúdo
Mostrando tua listinha!

E se chegares em Paris
Te encontra numa sinuca
Pois o hotel que te levaram
É verdadeira arapuca
Registra tudo e cai fora
Desta viagem maluca!

Não existe pior coisa
Do que fazer papel de tolo
Se na hora da grande festa
O buffet te der o bolo
Denuncie toda a quadrilha
Destrincha já este rolo!

Depois de tanto trabalho
Tu vais curtir uma fita
Parece que nome do filme
Era “Sexta-feira Maldita”
Pois uma publicidade enganosa
Completou tua desdita!

Pois o filme do Spielberg
Ser sucesso prometia
Mas a era dos dinossauros
A tela sempre invadia
Te deixando quase maluco
E com a barriga vazia!

Se o Brad Pitt ou Sharon Stone
Desaparecerem da tua vista
Não eram nem parecidos
Com as figuras da revista
A má qualidade do serviço
Está bem claro, dá na vista!

E agora presta atenção
Para um fato corriqueiro:
Te serviram olho de sogra
No lugar do brigadeiro
Sê um consumidor consciente
Apronta grande pampeiro!

Não sintas nem um remorso
Não é o preço que importa
Depois do negócio feito
Inês ainda não é morta
Podes devolver o produto
Comprado em tua porta!

Não esmoreças, meu amigo,
Se viveres entrando em fria
Lesar o consumidor
No Brasil virou mania
Reclamar é a maneira
De exercer cidadania!

E para terminar estes versos
Peço ainda atenção
O Procon atende a todos
Não fazemos distinção
Lutando por teus direitos
Moralizas a nação!

E digo, com toda certeza,
Presta atenção, por favor,
Que mesmo depois de morto,
Ainda és consumidor
Pois existe sempre um parente
Te levando vela ou flor!



Texto fonte: http://mpscjoinville.wordpress.com/2011/11/22/procon-de-joinville-comeca-distribuicao-do-livreto-educativo-cordel-do-consumidor/. Acesso em 26/11/2011
 
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